Quase não acreditei ao ler o projeto do deputado federal Celso Russumano (PP-SP) [aquele dos direitos dos conumidores, lembram?] de mudar a constituição e permitir o trabalho a partir dos 12 anos de idade.
Para não repetir toda a reflexão feita pelo jornalista Leonardo Sakamoto, os remeto para seu blog, onde há mais detalhes da proposta além de uma breve análise do que isso significa.
Sabe tese, de faculdade? Aquela que defendem? Com unhas e dentes? É dessa tese que eu estou falando. Você deve conhecer pelo menos uma pessoa que já defendeu uma tese. Ou esteja defendendo.
Sim, uma tese é defendida. Ela é feita para ser atacada pela banca, que são aquelas pessoas que gostam de botar banca.
As teses são todas maravilhosas. Em tese. Você acompanha uma pessoa meses, anos, séculos, efendendo uma tese. Palpitantes assuntos. Tem tese que não acaba nunca, que acompanha o elemento para a velhice. Tem até teses pós-morte.
O mais interessante na tese é que, quando nos contam, são maravilhosas, intrigantes. A gente fica curiosa, acompanha o sofrimento do autor, anos a fio. Aí ele publica, te dá uma cópia e é sempre - sempre - uma decepção.
Em tese. Impossível ler uma tese de cabo a rabo. São chatíssimas. É uma pena que as teses sejam escritas apenas para o julgamento da banca circunspecta, sisuda e compenetrada em si mesma. E nós?
Sim, porque os assuntos, já disse, são maravilhosos, cativantes, as pessoas são inteligentíssimas. Temas do arco-da-velha. Mas toda tese fica no rodapé da história. Pra que tanto sic e tanto apud?
Sic me lembra o Pasquim e apud não parece candidato do PFL para vereador? Apud Neto.
Escrever uma tese é quase um voto de pobreza que a pessoa se autodecreta. O mundo pára, o dinheiro entra apertado, os filhos são abandonados, o marido que se vire. Estou acabando a tese. Essa frase significa que a pessoa vai sair do mundo. Não por alguns dias, mas anos. Tem gente que nunca mais volta.
E, depois de terminada a tese, tem a revisão da tese, depois tem a defesa da tese. E, depois da defesa, tem a publicação. E, é claro, intelectual que se preze, logo em seguida embarca noutra tese. São os profissionais, em tese. O pior é quando convidam a gente para assistir à defesa. Meu Deus, que sono. Não em tese, na prática mesmo.
Orientados e orientandos (que nomes atuais!) são unânimes em afirmar que toda tese tem de ser - tem de ser! - daquele jeito. É pra não entender, mesmo. Tem de ser formatada assim. Que na Sorbonne é assim, que em Coimbra também. Na Sorbonne, desde 1257. Em Coimbra, mais moderna, desde 1290. Em tese (e na prática) são 700 anos de muita tese e pouca prática.
Acho que, nas teses, tinha de ter uma norma em que, além da tese, o elemento teria de fazer também uma tesão (tese grande). Ou seja, uma versão para nós, pobres teóricos ignorantes que não votamos no Apud Neto.
Ou seja, o elemento (ou a elementa) passa a vida a estudar um assunto que nos interessa e nada. Pra quê? Pra virar mestre, doutor? E daí? Se ele estudou tanto aquilo, acho impossível que ele não queira que a gente saiba a que conclusões chegou. Mas jamais saberemos onde fica o bicho da goiaba quando não é tempo de goiaba. No bolso do Apud Neto?
Tem gente que vai para os Estados Unidos, para a Europa, para terminar a tese. Vão lá nas fontes. Descobrem maravilhas. E a gente não fica sabendo de nada. Só aqueles sisudos da banca. E o cara dá logo um dez com louvor. Louvor para quem? Que exaltação, que encômio é isso?
E tem mais: as bolsas para os que defendem as teses são uma pobreza. Tem viagens, compra de livros caros, horas na Internet da vida, separações, pensão para os filhos que a mulher levou embora. É, defender uma tese é mesmo um voto de pobreza, já diria São Francisco de Assis. Em tese.
Tenho um casal de amigos que há uns dez anos prepara suas teses. Cada um, uma. Dia desses a filha, de 10 anos, no café da manhã, ameaçou:
- Não vou mais estudar! Não vou mais na escola.
Os dois pararam - momentaneamente - de pensar nas teses.
- O quê? Pirou?
- Quero estudar mais, não. Olha vocês dois. Não fazem mais nada na vida.
É só a tese, a tese, a tese. Não pode comprar bicicleta por causa da tese. A gente não pode ir para a praia por causa da tese. Tudo é pra quando acabar a tese. Até trocar o pano do sofá. Se eu estudar vou acabar numa tese.
Quero estudar mais, não. Não me deixam nem mexer mais no computador. Vocês acham mesmo que eu vou deletar a tese de vocês? Pensando bem, até que não é uma má idéia!
Quando é que alguém vai ter a prática idéia de escrever uma tese sobre a tese? Ou uma outra sobre a vida nos rodapés da história?
Dessa vez não foi o Deep Blue, o computador da IBM, que lançou ofensiva contra o enxadrista, mas sim um pênis voador controlado remotamente. Aparentemente, o episódio poderia ter sido engendrado por jovens pro-Kremlin (Kasparov é famoso por se opor a Putin).
O filme que produzi comissionado pela Current TV, sobre as relações da midia no Brasil com o Governo Aécio Neves finalmente vai ao ar. “Gagged in Brazil” estreou semana passada nos EUA e estréia dia 27 de maio agora no Reino Unido e na Irlanda, mas já está disponível no site da Current. O filme tem locução e textos em inglês, mas boa parte das entrevistas e depoimentos são em português.
No filme, através de entrevistas, depoimentos e exemplos, mostro como a imprensa ( TV Globo, Estado de Minas e TV Alterosa) se submentem as vontades de um grande anunciante ( O Governo de Minas Gerais ), e, assim, deixa de exercer o seu papel.
Os livros de história do futuro registrarão um território etnicamente diverso onde um dos grupos comandava o governo, as forças armadas, a academia, a comunidade de negócios, a indústria cultural, o sistema judiciário e praticamente todos os organismos do Estado - cujo objetivo institucional declarado era assegurar sua segurança e prosperidade em detrimento, necessariamente, dos demais. Às outras populações sob seu controle eram conferidos diversos matizes - inferiores - de cidadania. O grupo dominante gozava de todos os privilégios de uma democracia liberal à sua época, bem como inúmeras formas de subsídio estatal; os demais enfrentavam uma realidade diária de discriminação, controle e intimidação pelo aparelho de segurança, relocalização geográfica forçada e acesso flagrantemente desigual aos recursos naturais.
Milhões dentre estes não possuiam qualquer tipo de cidadania ou proteção jurídica: tinham regularmente suas casas destruídas e suas terras expropriadas pelo Estado, em favor da reocupação direta por membros do grupo dominante e suas de obras de infraestrutura. Bairros eram segregados por muros e comunidades inteiras eram sitiadas por barreiras policiais, bloqueios de estradas e toques de recolher. A energia elétrica, a água e o acesso a hospitais eram instrumentos de controle. Embora violassem as leis internacionais de direitos humanos, todas essas ações estavam em acordo com a ordem jurídica local. O Estado viabilizava diplomaticamente seus crimes alinhando-se aos interesses geopolíticos regionais de uma superpotência mundial. Se você pensou na África do Sul até 1994, você também acertou.
É 2008, bem vindos a Israel
Criado em 1948 com a louvável incumbência de abrigar os judeus sobreviventes à guerra, o Estado de Israel é sem dúvida um dos maiores experimentos de engenharia social do século 20. Entre suas ambições estão construir uma democracia liberal industrializada de molde ocidental em uma região de economia essencialmente agrícola e cultura tribal, fixar milhões de imigrantes em terras exíguas já densamente povoadas e, sobretudo, forjar uma identidade nacional comum a todos estes, porém excludente dos habitantes tradicionais da região.
Diante de tal quadro de contradições, é evidente que o projeto só poderia ser conduzido mediante brutal e contínua repressão apoiada em uma ideologia segregacionista. O preço dos inegáveis sucessos israelenses nos últimos 60 anos foi e segue sendo a subjugação cultural e militar dos demais povos da Palestina. Embora possua tons distintos, a situação aproxima-se em vários aspectos da que vigeu na Africa do Sul, o que justifica a meu ver o uso, também neste caso, do termo apartheid.
Judeus árabes e mizrahim
Na qualidade de ex-genro de um judeu árabe, sempre causa-me certa espécie quando alguém solta, por exemplo, que “árabes e judeus vêm matando-se há séculos”. Além de historicamente falsas e clichés, tais afirmações são logicamente inconsistentes (mesmo que se substituam “árabes” por “muçulmanos”, o que demonstra ignorância à parte), na medida em que aproximadamente 3,5 milhões de judeus no mundo hoje, dos quais 2,5 milhões em Israel, são provenientes do Oriente Médio, do Irã, do Norte da África, da Ásia Central, do Cáucaso e até do Paquistão e da Índia. Em particular, muitos destes mizrahim têm o árabe como língua materna ou familiar e identificam-se com a cultura árabe pelo menos tanto quanto com sua herança judaica.
No afã inicial de definir e em seguida de cristalizar uma identidade nacional israelense, a iconografia sionista tendeu a privilegiar o aspecto europeu e moderno da identidade judaica - em contraponto aos demais palestinos, supostamente incultos e primitivos. Não era portanto de se surpreender que os milhões de judeus de origem e cultura não-européia tenham participado do processo de construção de Israel em meio a um fogo-cruzado de identidades e estereótipos (o que ainda é bem melhor do que munição de verdade), normalmente encontrando-se em segundo plano ou resignando-se à própria “desarabização” como estratégia de assimilação social.
As diferenças porém não se restringem ao simbolismo: como reconhece a Professora Meyrav Wurmser, de orientação sionista e conservadora, a desigualdade econômica entre judeus ashkenazim (de origem européia) e mizrahim persiste ao longo dos 60 anos de Israel e, mesmo, aumenta significativamente com a política econômica neoliberal dos anos 90. Embora alguns expoentes mizrahim ocupem funções de prestígio no governo (inclusive a Presidência) e nas forças armadas, ao fim desta década 88% dos judeus de classe alta eram ashkenazim e 60% das famílias de baixa renda eram mizrahim. Em outro exemplo, apesar de constituirem metade da população de Israel, os mizrahim contam 4 vezes menos indivíduos com diploma de nível superior que os ashkenazim - e as políticas do Estado em nada contribuem para harmonizar o quadro, já que comunidades mizrahi freqüentemente recebem ensino de qualidade inferior ou restrito às vocações técnico-profissionais. A autora observa ainda, com alarme, que a insatisfação com o status quo discriminatório leva crescentes números de mizrahim a questionarem a legitimidade do projeto sionista.
Por outro lado, o poeta mizrahi de origem marroquina Sami Shalom Chetrit retrata a complexa crise de identidade gerada pela assimilação:
Acrid Memory
At the train station a rabid crowd
Doles out yellow ribbons and flags
asking passersby to pledge their blessings
and give thanks to the boys coming home.
As for me, I put down:
miserable, pitiful souls.
And a stinging memory comes back.
Homecoming memory.
Driving through the streets of a strange city at full tilt
(the streets there weren’t at all unfamiliar to us),
an old Arab stood by the side of the main road waving his cane
(now I think: that old man’s grandfather once must have stood
by the side of that very road and waved that very cane).
We stopped to find the meaning of his wave.
The old man bent toward me (in his eyes I saw that he didn’t get the essence of human adulation,
the quality of victory or failure), and spit a yellow
glob of saliva in my face before turning back on his way.
And on that day I was purified.
If only for a fleeting moment was I purified.
Embora sejam protegidos pela cidadania israelense e estejam do lado de dentro da linha identitária oficial, os mizrahim evidenciam uma primeira rachadura no edifício da construção nacional. Suas dificuldades, contudo, não são nem remotamente comparáveis às de outros grupos sociais marginalizados pelo Estado de Israel, que visitaremos em maior detalhe na sequência deste artigo.
O nocaute do ano. Agripino Maia, atual senador da republica pelo PFL (ou Demo ) e ex-prefeito bionico durante a ditadura militar, pergunta a Ministra Dilma Roussef se ela mentiria ali na comissao parlamentar como ja havia afirmado que havia mentido durante a tortura, quando fora presa por lutar contra o regime de excessao.
Acho que a oposicao precisa de mais lideres como Agripino Maia, que, nao bastando terem apoiado o regime militar pra garantir os privilegios que infelizmente mantem ate hoje, ainda questionam os opositores da ditadura por terem mentido enquanto eram torturados.
Acho que com 1 minuto de choque eletrico, ou 2 mergulhadas no pau de arara, Agripino entregaria ate a mae…
Este é um dos argumentos maternos para que os filhos deixem os pratos limpos. Ele funciona até a idade em que o filho, esperto, pergunta à mãe se ela vai enviar a comida que sobrou no prato para os famintos.
Brincadeiras a parte, hoje uma notícia colocou as coisas em perspectiva (pelo menos para mim). Os britânicos despediçam (jogam no lixo mesmo) o equivalente a 10 bilhões de libras esterlinas (mais ou menos R$ 34 bi) por ano em comida. Mesmo descartando o status quo político-econômico do planeta, essa notícia mostra que a sociedade britânica carece de bom senso: não basta ser rico enquanto outros passam fome, também é preciso desperdiçar enquanto os outros passam fome.
Acho que esse desperdício não é idiosincrasia da indústria alimentícia: é típico da cultura e virtude do próprio sistema vigente. Coisas têm de ser vendidas, e se vendê-las ao ponto do desperdício é mais lucrativo, que seja. Me lembra Homer Simpson demonstrando toda a sua estupidez ao consumir um produto horrível em grandes quantidades, só porque era muito barato.
Acho que todos já ficamos um pouco chateados por querer apenas um Big Mac e um refri pequeno, mas descobrir que um Número Um sai mais em conta. O truque é distorcer os preços para que seja mal negócio comprar apenas o necessário, ao mesmo tempo em que se gera uma sensação de abundância, ao fazer o cliente acreditar que vai levar mais pelo mesmo preço. É uma geração artificial de demanda. O truque é usado com sucesso no varejo aqui no Reino Unido. Você quer comprar um frango, mas se você comprar um, ganha outro de graça. Não importa se você vai comer o outro frango ou não, se você é economicamente racional você vai levar os dois (e por aqui é raro as pessoas terem freezer ou mesmo um congelador grande, então vai acabar virando lixo mesmo). Pode ser que seja só o meu pensamento, mas 2 por 1 é estratégia de fim de feira. Se dois frangos valem 10, um frango tem que valer 5. Exceto no fim da feira, quando ficar com o produto que não será vendido não é razoável para o vendedor. Ora, todos os grandes mercados aqui vivem do “Dois por um”. Será que todos eles consistentemente erram ao dimensionar seus estoques ? Será que todos eles sobre-estimam a demanda? Ou será que todos eles lucram com a falta de alternativa e do Homer Simpsom em cada um de nós?
Era uma vez um padre voador que decidiu deixar Paranaguá de um jeito diferente, então voou pendurado em mil balões de festa, coloridos e cheios de gás, voou o padre sentado em uma cadeira de paraglider rumo ao seu destino final, Ponta Grossa.
O padre não chegou à ponta grossa, ele desapareceu no ar.
Nada poderia ser mais fantasioso e bizarro que um padre voar em balões coloridos. Contudo, é verdade. Neste exato momento, fieis estão em vigília na igreja do padre e lá ficarão até o retorno do aventureiro.
A Forca aérea brasileira e um grupo de pescadores então mobilizados para encontrar o padre.
Confesso que tenho dificuldade pra entender os padres, quiçá os aventureiros.
O padre voador que saiu do chão puxado por balões de festa coloridos, fez isso incentivado por muita gente. Não o chamaria de brilhante, mas pra todo louco tem quem aplauda a loucura.
No escurinho do cinema da minha cabeça, eu vejo os aventureiros com cara de admiração ao contrario, com o pé atrás. Gostos dos que não estão no mundo a fim de quebrar recordes. Gosto dos que sabem que dar um passo a frente já representa sair do lugar, como diria Chico. O Science.
Admiro mesmo é de quem sobe ladeira devagar, reparando no caminho e que nem sonha em por a bandeira no topo do Everest. Gostos dos que escrevem e nem publicam, dos que não gostam de best-seller.
Admiro os que não tem a pretensão em ser o melhor em coisa alguma e são felizes. Gosto dos detalhistas.
A necessidade do sucesso absoluto em tudo, a urgência em ter o melhor salário, a cobrança de chegar ao topo de qualquer profissão e a vontade de ganhar fama a todo custo, vai nos custar caro, vai levar o mundo a loucura.
Daqui a pouco vai ter até padre voando em balões de festa.
Torço para que encontrem o padre com vida.
Lembrei do Pessoa:
“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”.
Poema em linha reta, Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)
Movimentos sociais estão coletando assinaturas para pressionar deputados e senadores a aprovarem a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438, também conhecida como “PEC do Trabalho Escravo”. Esta emenda, que determina o confisco das terras de quem utilizar mão de obra escrava, está parada na Câmara dos Deputados desde 2004. Ela já foi aprovada no Senado e em primeiro turno na Câmara, mas ainda falta ser em segundo turno.
Participam do “Movimento Nacional pela Aprovação da PEC 438 e pela Erradicação do Trabalho Escravo” a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Comissão da Pastoral da Terra, Fórum Nacional da Reforma Agrária, MST, OAB, Movimento Humanos Direitos, Repórter Brasil, Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social entre muitas outras organizações.
Segundo a ONG Repórter Brasil, que participa na luta contra o trabalho escravo, desde 1995 já foram libertadas mais de 28 mil pessoas que estavam em condições análogas à escravidão. Só em 2007 foram mais de 5.800 trabalhadores libertados pelo Governo. Casos recentes incluem relatos de trabalhadores sendo marcados a ferro quente, ou usinas que empregavam mais de 400 pessoas em condições de trabalho degradantes.
As assinaturas estão sendo recolhidas em papel e via internet. A assinatura, assim como a leitura da íntegra do texto do abaixo-assinado, pode ser feita neste link.
Para entender como funciona a escravidão nos dias de hoje, recomendo este texto.
Para saber as mentiras ditas sobre o trabalho escravo no Brasil, clique aqui.
Para saber um pouco mais sobre o abaixo assinado, clique aqui.
[Imagem: Cimilyan, M. (2003). Slavery . Retrieved Oct. 25, 2005. Retirada desta pagina]
Por: Prof. Dr. Edimilson Ramos Migowski de Carvalho
O vírus do Dengue é um Flavivirus, portanto do mesmo gênero do vírus da hepatite C e da febre amarela, que também são hepatotrópicos. Assim, a hepatite não pode ser considerada uma complicação do dengue, pois faz parte da história natural da doença. Aspectos histológicos de hepatite viral têm sido demonstrados em biópsias hepáticas de pacientes com dengue, como degeneração dos hepatócitos, necrose centrolobular, degeneração gordurosa, hiperplasia de células de Kupffer, infiltração de monócitos e alterações muitas vezes de grande monta a exemplo do que ocorre na febre amarela. Diversos estudos demonstram que 80 a 100% dos pacientes com dengue, mesmo sem hepatomegalia, apresentam algum grau de envolvimento hepático com elevação de transaminases (TGO e TGP).
O tratamento da Dengue é sintomático, isto é, são utilizados medicamentos apenas para amenizar os sinais e sintomas, e não para combater o vírus. O próprio sistema imunológico acaba com o vírus em alguns dias. Mesmo assim, deve-se fazer repouso, não se agasalhar excessivamente e beber muito líquido para evitar a desidratação proporcionada pela febre e evitar sintomas mais desagradáveis.
No caso da forma hemorrágica, é recomendada a aplicação de soro e plasma. Em alguns casos mais graves pode haver a necessidade de transfusão de sangue. Embora não tenha qualquer estudo, é o paracetamol (Dôrico®, Tylenol® etc) o fármaco mais utilizado para tratamento da dor e febre no paciente com dengue.
Vale ressaltar que o vírus do dengue causa, em praticamente 100% das pessoas infectadas, um quadro de hepatite, e o paracetamol é muito tóxico para esse órgão e poderá agravar o problema.
O ácido acetil-salicílico (AAS®, Aspirina®, Melhoral®, Doril® etc) é contra-indicado, porque essa substância interfere nos mecanismos de coagulação e pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas.
Baseado nos perfis do medicamento e da doença, os medicamentos que poderiam ser utilizados com um pouco mais de segurança seriam a dipirona (Novalgina®, Dorflex®, Anador® etc.) e o ibuprofeno (Dalsy®, Alivium®). Mas sempre de
forma comedida e com orientação médica.
Na maioria das vezes, o doente se recupera em uma semana. A recuperação costuma ser total, não deixando nenhum tipo de seqüela. É comum que ocorra durante alguns dias uma sensação de cansaço, que desaparece completamente com o tempo, geralmente em até quinze dias.
Paracetamol é uma substância que exige um esforço do fígado para metabolizá-la. A diferença entre a dose terapêutica e a tóxica é muito pequena. Segundo a Administração de Drogas e Alimentos dos Estados Unidos, um adulto saudável deve ingerir, no máximo, quatro gramas de paracetamol por dia. Para crianças, a dose recomendada é de cem miligramas por quilo de peso. Mas o mais seguro é consumir o mínimo possível. O excesso pode causar Hepatite Medicamentosa. Hepatite tóxica mata rapidamente, adultos e crianças. Ela pode ser a verdadeira causa de vários óbitos atribuídos ao dengue.
Prof. Dr. Edimilson Ramos Migowski de Carvalho, MD, PhD (Professor de Infectologia Pediátrica da UFRJ e vice-presidente da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro)
Encontrei um blog com algumas estatísticas sobre as guerras do Iraque e Afeganistão. Os números de mortes de civis nessas guerras são questionáveis. Por exemplo, os números para o Iraque variam desde 80 mil, de acordo com o sítio Iraq Body Count (que aparentemente é financiado pelo governo britânico) até números superiores a 1 milhão de mortes (um estudo de 2006 contava 650 mil mortes). O blog em ocasião usou o barato subterfúgio estatístico de tirar a média de números de vários estudos. Não obstante a adequabilidade da estatística usada, o número é seguro assumir que o número real de mortes é no mínimo igual ao reportado pelas fontes oficiais americanas, e no máximo igual ao número alardeado pelas iniciativas anti-guerra. Muito provavelmente é maior do que o primeiro número e menor do que o segundo, então pelo menos a média dá um valor central, ainda que viesado*. O blog cita as fontes, o que é imprescindível.
O número de mortes, se for usada a média de várias fontes, é de 400 mil civis mortos no Iraque e 45 mil civis mortos no Afeganistão. O blogueiro diz que essa estimativas são conservadoras, e provavelmente são. Afinal, quando um caça americano joga uma bomba guiada a laser num vilarejo no Afeganistão, não sobra muito material para se construir estatísticas; tampouco bate à porta dos destroços um estagiário, prancheta em mão, perguntando se os mortos eram civis ou não, o que aliás é uma definição para lá de subjetiva nesse tipo de guerra. Por outro lado, não é difícil imaginar que mortes não relacionadas à ação de guerra sejam computadas erroneamente como sendo culpa dos invasores. O estado de guerra transforma um problema objetivo e determinístico em subjetivo e incerto.
Usando esta estimativa, o blog faz comparções interessantes, como a do título:
A cada 9.74 dias, morrem tantos ex-cidadãos afegãos quanto morreram estadunidenses no ataque às torres gêmeas de 11 de Setembro.
São 305 mortes de civis diariamente entre Iraque e Afeganistão.
A cada 14 dias, morrem tantos civis no Iraque e Afeganistão quanto já morreram militares estadunidenses desde o começo das duas guerras.
No World Trade Center Site haverá um memorialhomenageando os mortos. Mesmo hoje, encontram-se nomes e fotos dos civis estadunidenses mortos. Cada soldado da coalisão que perde a vida tem seus cinco minutos de fama no noticiário (pelo menos os britânicos). Iraquianos e afegãos, infelizmente, são estatísticas com alto desvio padrão.
* se os números variam de 80 mil a 1 milhão, seria mais seguro usar a mediana.
Dois anjos conversam em um banco de praça e, enquanto espiavam nossas vidas, um deles perguntou: por que você pretende trocar a tranqüilidade celestial pela loucura que é ser humano? -Para ter o prazer de mentir deliberadamente.
Esta cena verdadeiramente nunca existiu, eu menti deliberadamente.
Menti varias vezes em minha vida, vivo um eterno primeiro de abril. Antes de me atirar pedras, saiba que não estou sozinho. No mundo animal, a camuflagem natural serve para salvar a presa e engabelar o predador. Humanos comumente sorriem ou agridem para dissimular a dor e o medo.
Aos 20, reza a lenda, que Picasso se apaixonou por duas lindas mulheres, Marie-Thérèse Walter e Dora Maar, pintou “Environnement Vaginal” (Ambiente Vaginal) e dedicou as duas o mesmo quadro e mesma frase: “para a única mulher da minha vida”. Mentiu.
Em 1962, na copa do mundo da Suécia, garrincha mentiu que passaria com a bola pela esquerda por duas vezes seguidas, mas decidiu ficar parado. O zagueiro acreditou no menino mentiroso de pernas tortas.
Aos 15 anos amei a Ana Laura, menina mais bela da Rua Oswaldo Cruz. Ela tinha cabelo encaracolado, a pele rosa e uma pinta preta embaixo do umbigo. Ana nunca soube dos meus sentimentos e jurei nunca mais amar outro alguém mais que a amei. Menti.
O cérebro utiliza a mentira para suavizar a realidade. A verdade pura faria a relação humana insuportável. Seriamos patéticos como um corpo sem pele.
Se você não for anjo, pode mentir. Diga que seu time é o melhor do mundo, afirme que neste ano você vai parar de fumar, sonhe acordado, minta que não pensa nela ou nele, diga que seu próximo amor será o melhor de todos, minta que você vai terminar este livro, minta que esta tudo bem, veja um quadro e olhe como quem entende tudo de modernismo, vista a roupa da moda e acredite que você é melhor por isso. Olhe o caos que o mundo está, ponha a culpa nos outros e fuja das suas responsabilidades.
Por fim, minta que você não tem medo de amar e nem de não reconhecer o amor quando ele passar.
No primeiro de abril ou em qualquer dia do ano vale mentir, desde que você não acredite nisto.
Era uma vez um prefeito que gostava de colorir esquinas e implantar obeliscos fálicos cidade afora. Naquela época eu já achava isso ridículo mas ninguém me perguntava o que eu achava. Chamaram-no uns maluquinho, outros visionário, e no fundo acomodaram-se todos em nome do bom senso, do espírito de Carnaval e do alívio de pelo menos ele não ser de esquerda.
Esse prefeito tinha muitas prioridades, muitas muitas mesmo. Não tinha tempo pra tudo, então concentrou-se em campanhas eletorais de seus aliados, insinuações sobre adversários em seu “ex-blog” (no qual ele ex-escreve com ex-freqüência) e demais funções essenciais de um gestor municipal, deixando pra depois tarefas secundárias como prevenir epidemias e outros males de pobre.
Fiel no poder das histórias infantis, ele sabia que poderia contar com algum flautista ou similar que atrairia magicamente todos os mosquitos da dengue para longe da cidade muito antes de a doença atingir a taxa de mais de mil novos infectados por dia, sendo 70% crianças, e registrar 50 mortes. O problema é que não basta ter políticas públicas da idade média pra fazer o feitiço acontecer e o flautista, até agora, não apareceu.
Apareceram o governador do Estado e o Ministro da Saúde, com seus malditos hospitais de campanha e medidas de emergência oportunistas. O prefeito, bravamente, defende-se insultando os invasores, atribuindo a culpa às chuvas (faltou explicar por que em Niterói, que fica ao lado, não tem epidemia) e levando o problema para a pequena política, terreno que bem conhece, representante que é da minha triste elite carioca.
No Rio de Janeiro é a moda que faz o verão e nesse fim de verão, já bem chegadas as águas de março, quem está agitando a galera é o nosso prefeito dengoso.
NB.: Desde a publicação deste artigo, César Maia (DEMO) foi à Bahia e pediu ao Senhor do Bonfim que levasse o mosquito da dengue pro mar. Não, eu não estou brincando.
Vivemos em um mundo incrivelmente complexo, onde decisões feitas por poucos impactam a vida de bilhões. Diariamente, milhares de fatos dignos de serem noticiados acontecem. Eu não sou jornalista, mas imagino que a mídia, até certo ponto, tem de escolher o que noticiar.
Os fatos que a mídia escolhe noticiar serão noticiados do ponto de vista de alguém. Pode ser do jornalista, do editor, ou do dono do grupo, ou de um grupo político que ele queira favorecer. A questão de imparcialidade de ponto de vista no jornalismo é assunto para horas e horas de discussão, mas é inegável que, sendo comunicação, tem um ponto de vista que reflete o ethos do comunicador.
No Brasil, como não se cansa de lembrar o Daniel Florêncio (e o Amorim e o Nassif), a mídia funciona de maneira, até certo ponto, mais clara. Não porque seja isenta, mas sim porque ecoa os interesses de um grupo claramente definido. Quem lê (ou assiste) os principais jornais é levado a acreditar que o país está em um estado deplorável, e rumando para destinos ainda piores. Meu ponto é simples: cada um ver o que quer. A mídia brasileira quer ver só os pontos ruins do governo atual, porque isso favorece o grupo ao qual representa. Amorim constantemente relata notícias boas sobre o país, que às vezes saem até na imprensa internacional, mas são ignoradas ou relegadas à notas nos jornais brasileiros.
Uma outra característica da mídia atual, na minha opinião, é a geração de polêmica. Polêmica vende, e grupos de mídia são empresas. A Vogue americana de Abril mostra na capa o jogador de basquete estadunidense LeBron James e a modelo brasileira Gisele Bündchen. Ele é negro. Ela é branca. A Vogue nunca havia colocado um negro em sua capa. Pronto, está criada a polêmica. Acessem os sites para ler a notícia, enquanto anúncios onipresentes serão implantados nos seus cérebros.
O Estadão também noticiou a “polêmica“. A peça relata a opinião de Tamara Walker, uma “americana da Filadélfia”, que diz que a capa “transmite a imagem de um negro perigoso”. (Como assim!? Uma estadunidense (que provavelmente é caucasiana) com medo de um negro de 2 metros de altura?) E o Estadão simplesmente traduz a notícia da Associated Press, como se no Brasil alguém estivesse preocupado com a opinião da Tamara. No entanto, num texto jornalístico, qualquer opinião soa oficial. Ainda disseram que a pose de LeBron James lembra King Kong.
Cada um ver o que quer. Eis o que eu vejo. LeBron James é jogador de basquete. Está fazendo uma pose de basquete, como se estivesse driblando, ao mesmo tempo em que carrega consigo a Gisele (quem não carregaria?). Está expressando sua individualidade e sua profissão. Gisele está expressando a sua individualidade e profissão com sua beleza e graça. Pode até ser crédulo da minha parte apenas apreciar a foto, quando obviamente a Vogue sabia que a foto causaria polêmica e venderia mais revistas. Tudo bem, este sou eu expressando a minha individualidade. Uma feminista provavelmente acharia a foto péssima, porque reflete uma posição sexista, como se os homens pudessem simplesmente agarrar as mulheres e carregá-las consigo, à la homem da caverna, mas sem o pedaço de pau.
Como nos desenhos de Rorschach, cada um vê o que quer nas coisas do dia-a-dia. E cada um é responsável pelo que diz e faz a respeito.
Momento interessante no Brasil. Há duas cruzadas em curso, de dois dos melhores jornalistas que o país já teve. São jornadas solitárias, contra mega empresas e interesses comerciais…
Um é Luiz Nassif, com o dossiê que vem escrevendo sobre a Revista Veja. Nassif vem mostrando por A + B como funcionam as relações, interesses e teias que constroem o jornalismo porco da Veja. Nassif, que tem um blog hospedado no IG vem aglomerando uma rede de fieis leitores e mobilizando a Internet no Brasil em torno de seus textos e de seu blog. A Veja é a revista mais lida do país, a principal publicação do Grupo Abril, um dos maiores publishers da America Latina, que já vem contra-atacando Nassif com ações judiciais…
O outro é Paulo Henrique Amorim, que vem escrevendo uma série de textos com informações, análises e acusações acerca da compra da Brasil Telecom pela Oi. Por conta de seus textos, e talvez, da agressividade com que coloca as suas acusações, acabou tendo seu blog “guilhotinado”. Seu blog era hospedado no portal IG, que é da Brasil Telecom. Os interesses da Brasil Telecom em ver a operação conretizada é óbvia e PHA estava tentando ver até onde podia chegar com suas informações e seus textos. Provavelmente a direção da Brasil Telecom estava também vendo aonde ele iria chegar. Quando pegou no tendão, o blog foi guilhotinado e PHA foi obrigado a inaugurar seu proprio site independente: www.paulohenriqueamorim.com.br
Tenho mais fé em cruzadas pessoais do que aquelas levadas a cabo por empresas ou corporações. Empresas de mídia se travestem de idôneas e isentas. Vestem a máscara da moralidade para levar, assim, os interesses comerciais/políticos/econômicos de seus donos e ou grupos de interesse.
Indivíduos não tem essa chance… Indivíduos são indivíduos, e seus objetivos/motivos são/seriam facilmente escancarados. Indivíduos também não contam com mega estruturas de poder. Advogados, administração, etc… etc… São bem mais frágeis. Por isso boto fé no que PHA e Nassif vem fazendo. E admiro a coragem e determinação dos dois… Interessante notar que eles não poderiam fazer o que vem fazendo dentro de NENHUM veículo de mídia (a não ser que fosse ao encontro dos interesses desse veículo), e o espaço encontrado foi a Internet. O único lugar onde eles conseguem agir de forma independente…